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Atropelamento que vitimou Mariana Albuquerque e Isac Martin vai a juri popular

Em entrevista ao Conexão Líder, Elineia Martins, mãe de Mariana, relembrou o caso e enfatizou ações que estão sendo feitas para que acontecimento não seja esquecido

14/04/2022 às 16h25 Atualizada em 14/04/2022 às 19h39
Por: Redação
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Ações estão sendo feitas em toda a cidade/ Foto: O Noticiário
Ações estão sendo feitas em toda a cidade/ Foto: O Noticiário

“Eu costumo dizer que uma mãe que perde um filho é uma mutilada de guerra, só que a gente não perde um membro, um braço ou uma perna, a gente perde um pedaço do coração”, afirmou Elineia Pereira Martins, que perdeu a filha, Mariana Albuquerque, em um acidente de trânsito. 

Na ocasião, Mariana estava de bicicleta quando foi atropelada na rodovia que liga Ubá à Guidoval por um indivíduo alcoolizado que estava na direção de uma caminhonete. Além de não parar e prestar socorro, o homem vitimou outra pessoa quilômetros à frente. 

Em entrevista ao programa Conexão Líder, Elineia relembrou com emoção o episódio, que vai a júri popular no próximo dia 27. O autor do atropelamento responde em liberdade desde 2015. “O acidente aconteceu dia 19 de dezembro de 2015, o cidadão ficou preso apenas 12 dias. Na época o juiz do caso estipulou uma fiança de 700 mil reais. Infelizmente ele recorreu e a segunda instância estipulou uma fiança de 80 mil reais. Ele pagou os 80 mil e saiu sob fiança”, recorda.

Há seis anos, Elineia luta não só por justiça, mas por um mundo melhor para toda a sociedade. Junto ao movimento Renova Trânsito Ubá, ela enfatiza a necessidade de melhorias no que envolve a mobilidade urbana. “A primeira coisa que nós precisamos nos conscientizar é que nós precisamos de um trânsito melhor, não só na nossa cidade, mas também do nosso país. Porque ao assistir os jornais todos os dias, sempre você vai ver uma matéria: ‘motorista alcoolizado, atropelou, matou, não socorreu.’ Todos os dias nós temos vivido isso. Então minha busca hoje é por um trânsito melhor. Eu tenho filho, tenho neto e tenho amigos aqui na cidade, então a gente quer realmente atravessar a rua em segurança, trafegar pelas ruas em segurança, o meu intuito é esse”, afirma. 

O perfil do Instagram do Renova Trânsito Ubá, relembra outros casos, para reforçar, como bem relatou Elineia, a necessidade de um trânsito melhor. Além de Mariana Albuquerque e Isac Martin, atropelados e mortos naquele fatídico 19 de fevereiro, outras vítimas da região como Anderson Oliveira – também morto em um acidente – e Frederico Carvalho, ex-atleta de ciclismo. “O Fred foi desenganado pelos médicos, falaram que ele não ia mais andar. Mas ele sobreviveu e continua lutando, apesar de não poder mais praticar o ciclismo”, conta Elineia. 

“Um acidente de trânsito ir a júri popular é uma vitória”

Ao longo de seis longos anos buscando justiça, Elineia considera uma conquista o caso chegar ao júri popular, no entanto, ela obviamente deseja que a justiça seja feita. “Ele não cometeu um ato lícito, ele matou, tirou a vida de dois seres humanos. Ele é culpado pelos crimes que ele cometeu. Se ele tivesse sido um cidadão de consciência – ‘eu atropelei, eu vou parar e vou ficar aqui’ - Minha filha morreu no ato do acidente, ela não teve tempo. Mas se ele tivesse parado ali ele teria poupado uma outra vida. Ele tirou a vida de uma jovem de 19 anos e de um jovem de 23 anos. Ele foi totalmente irresponsável”, sustenta. 

Nos próximos dias que antecedem o julgamento, Elineia junto ao grupo Renova Trânsito Ubá vão fazer ações para conscientizar a população e não deixar que o atropelamento que causou a morte de sua filha caia no esquecimento. “No sábado (16), nós faremos uma blitz educativa pelas ruas da cidade. Contaremos com das policias rodoviária, civil e militar. O primeiro ponto de parada será no sinal da rua XV de Novembro com a Cristiano Roças, o segundo ponto no cruzamento do sinal na Rua Coronel Carlos Brandão, o terceiro na avenida Beira-Rio, em frente a Gelovita, o quarto na avenida Padre Arnaldo Janssen (Esquina da Morte) e o quinto ponto será na Polícia Rodoviária de Ubá”, chama a atenção. 

Já no dia 24 de abril o grupo realizará um protesto pacífico pelas ruas da cidade, com concentração na Praça São Januário e saída prevista para às 7h. No dia 27, dia do julgamento, Elineia faz um apelo: “gostaria de convocar a população para estar na porta do Fórum, vamos precisar muito da força e do apoio de vocês”.

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