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Livro resgata atuações de Clodesmidt Riani e suas relações com João Goulart
Lançamento da obra "“Riani: as botinas tentaram calar” " que homenageia o personagem acontece em Juiz de Fora no dia 22 de junho
08/06/2022 10h16 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Fonte: Assessoria de Imprensa
Jango na posse de Clodesmidt Riani na presidência da CNTI, em 1962. Foto: Instituto João Goulart

O livro “Riani: as botinas tentaram calar”, 1ª parte, será lançado em Juiz de Fora no dia 22 de junho, durante sessão solene na Câmara Municipal, que homenageia o centenário de Clodesmidt Riani, transcorrido em 2020.

A obra do jornalista Anibal Pinto convida o leitor a passear pela vida de Riani, da vida do garoto nos anos 1920 à apresentação do ex-sindicalista e deputado aos militares em Juiz de Fora no ano de 1964, quando recebeu voz de prisão.

Já no prefácio escrito por Maria Thereza F Goulart, ex-primeira-dama, viúva do ex-presidente João Goulart, a relação entre Jango e Clodesmidt é destacada.

Riani tem atuação política antes mesmo de saber as consequências disso quando contesta o diretor da indústria que trabalhava para defender uma operária grávida. A partir daí, com pouco mais de 20 anos, ele se torna uma referência entre os trabalhadores da empresa de energia elétrica, onde trabalha, e mais tarde se filia ao sindicato. Com atuação marcante, aos poucos ele conquista seu espaço e consegue vencer a primeira eleição sindical, elegendo-se membro da federação e da CNTI, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, então a maior organização sindical da América do Sul.

Ao longo de sua vida e atuação sindical, Clodesmidt conheceu e contou com o apoio de João Goulart (vice-presidente e depois presidente do Brasil). É neste contexto de luta e reivindicação de pautas sociais e políticas que surgem as leis do 13.º salário, aposentadoria por tempo de serviço, auxílio-maternidade, auxílio-família, auxílio-reclusão, férias proporcionais, entre outras.

Clodesmidt também exerceu grande influência na política, criando diretórios do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no interior de Minas e se elegendo deputado estadual, sempre com votações expressivas. Também com a ajuda e apoio de João Goulart, então presidente nacional do PTB, mudou a face do partido no estado. 

Além de Jango, que se tornou amigo de Riani, outras figuras importantes da história brasileira aparecem no livro, — principalmente — de 1954 a 1964. As conspirações políticas para derrubar os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jango e a tentativa de autogolpe de Jânio Quadros. Desfilam nomes outros como Carlos Lacerda, Leonel Brizola, Luiz Carlos Prestes, Francisco Julião, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros.

Para a confecção da obra, o autor contou, além da pesquisa documental, com com o relato pessoal de Clodesmidt Riani em sua longa entrevista concedida ao próprio autor em 1996, que deu origem ao Dossiê Riani, uma entrevista publicada em dez domingos seguidos no jornal Diário Regional de Juiz de Fora, totalizando 40 páginas em formato ‘standard’.

Tem ainda os relatos do próprio Riani, em seu depoimento ao arquivo da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Laje (Funalfa), de Juiz de Fora, reunidos e organizados pelos professores Hilda Rezende Paula e Nilo de Araújo Campos, no livro “Trajetória”, de 2005.