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O dia em que a Philarmônica Embocadura levou um “defunto” ao Carnaval de Ubá

Foto de 1966 registra desfile irreverente com caixão, “viúvas” e o humor característico do bloco

15/02/2026 10h56 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Redação
Foto: Arquivo Histórico da Cidade de Ubá
Foto: Arquivo Histórico da Cidade de Ubá

Uma fotografia de 1966 eterniza um dos momentos mais inusitados do Carnaval de Ubá. No registro, integrantes do tradicional Bloco Em Boca Dura desfilam pelas ruas da cidade em uma encenação que mistura sátira e criatividade.

No centro da imagem, Zé Rinaldi, barbeiro conhecido no município, aparece dentro de um caixão, fingindo-se de morto. Ao redor, homens vestidos de mulher, trajando roupas de luto e com travesseiros na barriga, acompanham o cortejo representando viúvas. A cena traduz o espírito irreverente que marcou a trajetória do bloco ao longo das décadas.

Fundado em 1952, o Embocadura realizou seu primeiro desfile em 14 de fevereiro daquele ano. Surgiu da iniciativa de jovens amigos que decidiram sair às ruas fingindo tocar instrumentos musicais, apenas para se divertir. Com o tempo, o grupo passou a se organizar em “departamentos”, que cresciam a cada edição do Carnaval.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu quando fogueteiros do bloco, após consumirem bebidas alcoólicas, soltaram fogos que acabaram incendiando uma antiga casa. No ano seguinte, como resposta bem-humorada ao ocorrido, foi criado um “departamento” formado por foliões fantasiados de bombeiros, utilizando uniformes originais. Ao final do desfile, todos foram presos por se tratar de vestimenta de uso exclusivo da corporação. No Carnaval seguinte, o bloco voltou às ruas com um novo “departamento”: foliões vestidos de advogados, com a missão simbólica de “soltar” os colegas.

Aos poucos, a Philarmônica Embocadura consolidou-se como referência cultural, atraindo visitantes de outras cidades e até do exterior. Reconhecida como pioneira no gênero, tornou-se fonte de inspiração para diversas bandas carnavalescas, entre elas a Banda de Ipanema, no Rio de Janeiro.

A fotografia de 1966 permanece como retrato de um Carnaval marcado pela irreverência e pela criatividade que ajudaram a construir a identidade festiva de Ubá.

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