Uma publicação do perfil @nemteconto.uba no Instagram provocou repercussão e dividiu opiniões entre moradores da região do Ginásio São José, em Ubá, e pessoas ligadas à administração do local. O conteúdo mostra uma faixa instalada em frente ao prédio histórico informando a interdição de áreas do museu.
Na faixa, consta que a medida visa a segurança de estudantes e visitantes e que a interdição teria sido motivada por rachaduras e trincas atribuídas ao intenso tráfego de veículos pesados e às intervenções de obras de asfaltamento nas proximidades.
Após a divulgação, a situação gerou uma série de comentários nas redes sociais. Parte dos usuários demonstrou preocupação com a preservação do patrimônio histórico. “A história da cidade está literalmente desmoronando e o silêncio de quem deveria agir é tão feio quanto o abandono”, afirmou uma internauta, ao relembrar a importância do espaço para gerações de ubaenses.
Por outro lado, também surgiram críticas à administração do local. Alguns comentários questionaram a necessidade da interdição e atribuíram a situação à falta de manutenção. “Ela recebe verbas para o patrimônio e não faz as manutenções, daí joga a culpa no asfaltamento”, escreveu um morador. Outro comentário classificou o caso como “briga de família”.
Em resposta às acusações, uma internauta que se identificou como “Conselheira da Cadeira Museus e Pontos de Cultura” afirmou ter visitado o local e confirmou a interdição em função de danos estruturais. Segundo ela, antes das obras de asfaltamento, o ginásio funcionava normalmente.
O perfil responsável pela publicação afirmou que o objetivo não foi acusar ou denunciar, mas fomentar o debate sobre a preservação de patrimônios históricos da cidade. “Nosso propósito é dar visibilidade aos fatos e abrir espaço para diálogo”, destacou.

O Museu
O Museu Ginásio São José possui relevância histórica para Ubá. O espaço funcionou como educandário entre 1905 e 1960, sendo o primeiro colégio secundário da região. O casarão, datado de 1862 e tombado pelo município, pertenceu ao fundador da cidade, Antônio Januário Carneiro. O acervo inclui mobiliário de época, equipamentos científicos, coleções de biologia e registros históricos, além de áreas dedicadas à arqueologia, cultura indígena e afro-brasileira.
Inserido em uma área de mata atlântica, o local também foi utilizado para atividades educacionais e pesquisas ambientais. Atualmente, o museu é gerido pelo Movimento Cultural São José (MCSJ), associação sem fins lucrativos fundada em 1995.
A reportagem do O Noticiário tentou contato com a administração do espaço, questionou sobre o laudo citado e sobre as acusações, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
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