Retorno de Brasília após participar da Marcha dos Prefeitos com um sentimento que mistura esperança e preocupação. Esperança porque vimos milhares de gestores públicos comprometidos em buscar soluções para suas cidades. Preocupação porque, mais uma vez, ficou evidente o quanto os municípios brasileiros seguem sobrecarregados, com responsabilidades cada vez maiores e recursos insuficientes para atender às demandas da população.
Quem vive o dia a dia de uma prefeitura sabe que é no município que os problemas realmente chegam. É aqui que o cidadão procura atendimento na saúde, exige melhorias na educação, cobra segurança, infraestrutura e respostas rápidas para os desafios da cidade. Somos nós, prefeitos e prefeitas, que estamos na linha de frente, ouvindo diretamente a população e tentando resolver questões que, muitas vezes, sequer são de responsabilidade municipal.
Infelizmente, o modelo atual concentra poder e recursos em Brasília. Hoje, a maior parte da arrecadação permanece com a União, enquanto estados e municípios ficam com parcelas muito menores. Na prática, isso significa que quem mais precisa executar políticas públicas acaba tendo menos condições financeiras para agir.
Outro problema grave é a criação de leis e obrigações que aumentam os custos das prefeituras sem indicar de onde virão os recursos necessários para cumprir essas medidas. Sou favorável à valorização dos profissionais e aos pisos salariais, mas é preciso responsabilidade. Não existe gestão séria sem planejamento financeiro. Não é justo que os municípios sejam obrigados a assumir despesas sem receber os recursos correspondentes.
Defendo que o Brasil avance em uma reforma verdadeira do pacto federativo, garantindo mais autonomia aos municípios. Precisamos de mecanismos que permitam às prefeituras contestar medidas que impactam diretamente suas contas sem a devida compensação financeira. A autonomia prevista na Constituição não pode existir apenas no papel.
Apesar de todas as dificuldades, os municípios continuam entregando resultados. Pesquisas recentes mostram que os prefeitos têm índices de aprovação superiores aos de outras esferas de governo. Isso acontece porque o cidadão reconhece quem está presente, quem conhece os problemas de perto e quem trabalha diariamente para encontrar soluções.
O municipalismo não é uma bandeira partidária. É uma necessidade para que o Brasil funcione melhor. Fortalecer os municípios significa fortalecer o atendimento à população, garantir serviços públicos mais eficientes e aproximar as decisões de quem realmente conhece a realidade das cidades.
Por isso, faço um convite à reflexão: valorize as causas municipalistas. É no município que a vida acontece. E é aqui, perto das pessoas, que os problemas podem ser resolvidos com mais rapidez, responsabilidade e humanidade.
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