O município de Tocantins recebeu, na noite deste sábado (23), a 1ª Festa Cultural Cigana, evento realizado no Colinas Club com o objetivo de valorizar a cultura cigana e promover a integração cultural por meio da música, da dança, da espiritualidade e das tradições do povo cigano.
A celebração reuniu convidados de diferentes estados do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e Goiás, além de representantes culturais, artistas e lideranças ligadas ao segmento. O evento foi realizado por Klaudya Arruda Produções, com apresentação dos cerimonialistas Iran Jacob e Izlene Cristina.
Os idealizadores Klaudya Arruda e Marcelo Vacite levaram ao público uma proposta que uniu cultura, reconhecimento social e experiências culturais ligadas à tradição cigana.
Durante a programação, o público acompanhou apresentações de dança, shows musicais, discursos emocionados, homenagens e atividades culturais. O evento contou ainda com o sorteio de uma motocicleta e a entrega da premiação “Destaques do Ano de 2025 – Tocantins/MG”, homenageando pessoas que contribuíram para o desenvolvimento e fortalecimento cultural da cidade.
A idealizadora do evento, Klaudya Arruda, destacou a importância da iniciativa para ampliar a valorização da cultura cigana e combater preconceitos. “Eu comecei fazendo eventos em 2011. Quando comecei a fazer os eventos ciganos, já foi em 2016, em Franca, São Paulo. Faço parte do grupo Mulheres Dinâmica de Franca também. E quero trazer essa valorização cultural pra cá, porque muita gente ainda tem preconceito. Então, a gente está mostrando a cultura, a música, a arte, mostrando a cultura cigana de um jeito diferente”, afirmou.
A cerimônia também contou com a presença da Layene Gravina, Miss Universo Juiz de Fora além de apresentações das bandas AG4 e Grupo Encanto Cigano. O grupo, apresentado pela União Cigana do Brasil, integra a proposta do evento de preservar e divulgar expressões artísticas ligadas à cultura cigana por meio da música e da dança. Atualmente liderado por Marcelo Vacite, o Grupo Encanto Cigano mantém o legado de seu fundador, Mio Vacite, levando apresentações culturais para festivais e eventos em diferentes regiões do país.
A cerimonialista Izlene Cristina também comentou sobre a emoção de participar da celebração. “Foi uma honra pra mim receber esse convite, visto que no ano passado eu ajudei a celebrar ao lado do meu querido Irã o casamento do Marcelo Vacite e da Claudinha Arruda. Foi realmente um conto de fada”, declarou.
Na sexta-feira (22), a programação contou ainda com o Primeiro Camping Cigano, realizado no Sítio Carangola, com fogueira, apresentações com fogo e espaço destinado a expositores.
A 1ª Festa Cultural Cigana teve coprodução da União Cigana do Brasil, instituição reconhecida pela Internacional Roma Federation (INC), entidade filiada à Organização das Nações Unidas. A organização atua na defesa dos direitos das famílias ciganas e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à valorização cultural, acesso à documentação, moradia, educação, saúde e inclusão social.
Os povos ciganos fazem parte da formação cultural brasileira há mais de quatro séculos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Governo Federal, estima-se que entre 800 mil e 1 milhão de ciganos vivam atualmente no país, principalmente das etnias Calon, Rom e Sinti.
A presença cigana no Brasil teve início ainda no período colonial, com grupos vindos principalmente de Portugal. Ao longo da história, os povos ciganos contribuíram para a construção cultural do país por meio da música, dança, espiritualidade, artesanato e forte valorização das tradições familiares.
Levantamentos oficiais também apontam que Minas Gerais está entre os estados com maior presença de comunidades e acampamentos ciganos, reforçando a importância de iniciativas voltadas à preservação cultural e ao combate ao preconceito.
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