A Câmara Municipal de Piraúba, a 35 quilômetros de UBá, instaurou na última segunda-feira (15) uma comissão processante para apurar denúncias contra o vereador e ex-presidente da Casa, Josmar Xavier (PSD). A abertura do processo, aprovada por unanimidade pelos parlamentares, poderá resultar na cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi apresentada por Thiago Crivellari, marido de uma das servidoras citadas no caso. O documento aponta uma série de condutas consideradas incompatíveis com o exercício da função pública, incluindo acusações de assédio sexual, misoginia, intimidação funcional e abuso de autoridade.
Segundo o relato, o vereador teria mantido um comportamento recorrente de humilhação e sexualização de servidoras da Câmara Municipal. Entre os episódios mencionados estão comentários depreciativos e de conotação sexual direcionados a funcionárias do Legislativo.
Um dos casos envolve Alessandra Crivellari, esposa do denunciante, sobre quem o parlamentar teria feito comentários considerados pejorativos ao mencionar sua trajetória profissional e aparência. Outra servidora, que passava por tratamento odontológico, também teria sido alvo de observações classificadas na denúncia como obscenas e invasivas.
O documento sustenta que as condutas relatadas não se tratariam de episódios isolados, mas de um padrão de comportamento marcado por humilhação pública, sexualização, deslegitimação da liderança feminina e intimidação de servidoras.
Durante a sessão, a presidente da Câmara, Simone Alvim (União Brasil), afirmou que os vereadores estão unidos diante da gravidade das denúncias. “A Casa está toda unida no mesmo pensamento, todos os vereadores e vereadoras, em fazer o que é certo”, declarou.
Ainda na reunião, foram definidos por sorteio os integrantes da comissão processante. O procedimento seguirá os trâmites legais, com a oitiva de testemunhas e a análise da defesa do vereador antes da deliberação final sobre uma eventual cassação.
Em resposta às acusações, Josmar Xavier afirmou ter sido surpreendido pela denúncia e alegou manter relação de amizade com uma das denunciantes, mencionando momentos de convivência social. Embora negue as acusações, o parlamentar informou que pretende protocolar sua renúncia ao cargo.
Segundo o vereador, a decisão estaria relacionada a questões de saúde pessoais e familiares e já vinha sendo considerada antes mesmo da abertura do processo. Ele afirmou ainda que irá consultar seu advogado para definir as medidas a serem adotadas diante da investigação.