A enchente que atingiu Ubá em fevereiro de 2026 deixou marcas na cidade e na vida de milhares de moradores. Mas, em meio às consequências da tragédia, também despertou reflexões sobre como o município poderia estar mais preparado para enfrentar situações semelhantes no futuro. Foi a partir dessa realidade que a ubaense Emilly Ribeiro Porfírio, de 22 anos, encontrou inspiração para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Arquitetura e Urbanismo, no Centro Universitário de Viçosa (Univiçosa).
Em vez de projetar uma nova construção, a estudante decidiu olhar para um espaço já conhecido dos ubaenses: o galpão do Horto Florestal. A proposta foi reimaginar, exclusivamente no campo acadêmico, como a estrutura poderia ser adaptada para funcionar como abrigo temporário em eventuais situações de calamidade pública. (confira o projeto no vídeo abaixo)
Sob orientação da professora mestre Gerusa Ribeiro Borges Coelho, Emilly desenvolveu um estudo arquitetônico que explora a possibilidade de acolher aproximadamente 300 pessoas no local. O projeto contempla dormitórios temporários, espaços para alimentação, atendimento médico, assistência social, armazenamento de doações e áreas de convivência.
A pesquisa também levou em consideração questões que vão além da estrutura física, como a privacidade das famílias, a acessibilidade, a segurança de pessoas em situação de vulnerabilidade e a organização dos serviços de emergência.
Outro ponto interessante do trabalho é a possibilidade de utilização do galpão para diferentes finalidades. Na concepção da estudante, os ambientes destinados ao acolhimento seriam montados com estruturas removíveis, permitindo que o espaço continuasse recebendo atividades comunitárias em períodos de normalidade.
Batizado de “Dias Melhores”, o conceito que orientou o projeto traduz a ideia de que a arquitetura também pode representar acolhimento, proteção e esperança para pessoas que precisam reconstruir suas vidas após uma tragédia.
A proposta, no entanto, não representa um projeto de intervenção previsto para o Horto Florestal. Trata-se de um estudo acadêmico, elaborado como parte da formação universitária de Emilly, sem previsão de execução ou compromisso de implantação pelo poder público. Filha de Vera Lúcia Ribeiro de Souza e André Porfírio de Souza, a jovem teve seu trabalho aprovado em 31 de agosto de 2026.
Ao escolher a própria cidade como objeto de estudo, Emilly encontrou uma maneira de aproximar os conhecimentos adquiridos na universidade dos desafios enfrentados pela população. Mais do que apresentar uma solução arquitetônica hipotética, seu TCC convida a refletir sobre como espaços urbanos já existentes podem ganhar novos significados diante das necessidades da comunidade. Uma forma de transformar as lembranças de uma tragédia em reflexão sobre o futuro de Ubá.
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