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Google desmantela rede que infectou 1,3 milhão de aparelhos; Brasil é o segundo país mais afetado
Programa malicioso era instalado de fábrica, principalmente em TV boxes com Android, e permitia que criminosos utilizassem os dispositivos e a conexão de internet dos usuários sem autorização.
05/11/2026 15h11
Por: Redação Fonte: G1
Imagem ilustrativa

Uma operação conduzida pelo Google, em parceria com outras empresas de tecnologia, desmantelou uma rede criminosa que controlava mais de 1,3 milhão de dispositivos eletrônicos em todo o mundo, sem o conhecimento de seus proprietários. O Brasil aparece como o segundo país com o maior número de aparelhos comprometidos, atrás apenas da Malásia.

Segundo informações da TrendAI, unidade de negócios de inteligência artificial da empresa de cibersegurança Trend Micro, foram identificados dispositivos infectados em 170 países. Além de Brasil e Malásia, Iraque, México e Taiwan estão entre os países mais atingidos.

O esquema utilizava um programa malicioso identificado como XCPE, instalado principalmente em aparelhos conhecidos como TV boxes, equipamentos que permitem transformar televisores convencionais em dispositivos capazes de acessar aplicativos e conteúdos pela internet.

Vírus já vinha instalado de fábrica

Um dos aspectos mais preocupantes do caso é que os consumidores não precisavam acessar sites suspeitos, clicar em links fraudulentos ou baixar aplicativos desconhecidos para ter seus equipamentos comprometidos. De acordo com o Google, o programa malicioso era instalado intencionalmente durante a fabricação dos dispositivos pela empresa chinesa Videostrong, sediada em Shenzhen.

Isso significa que os aparelhos já chegavam às mãos dos consumidores infectados, permitindo que terceiros utilizassem parte de seus recursos sem qualquer autorização.

Criminosos comercializavam acesso aos aparelhos

As investigações apontaram que o acesso aos dispositivos comprometidos era comercializado para redes criminosas, que exploravam os equipamentos de diferentes maneiras. Uma das práticas identificadas envolvia fraudes publicitárias, nas quais os aparelhos eram utilizados para gerar atividades artificiais em sistemas de anúncios digitais.

Outra modalidade consistia na comercialização do acesso à conexão de internet dos proprietários. Dessa forma, terceiros podiam utilizar a rede doméstica das vítimas para realizar atividades online, sem que os responsáveis pela conexão soubessem. Na prática, o consumidor poderia manter um aparelho aparentemente funcionando normalmente enquanto parte de seus recursos era utilizada por criminosos.

Outros equipamentos também foram atingidos

Embora a maior concentração de infecções tenha sido identificada em TV boxes com Android, a investigação revelou que o programa também estava presente em outros tipos de equipamentos eletrônicos. Entre eles estão dispositivos utilizados em telemedicina, máquinas de karaokê e sistemas de sinalização digital, empregados, por exemplo, na exibição de informações e anúncios em estabelecimentos comerciais.

A variedade de equipamentos comprometidos demonstra que o problema não estava restrito aos aparelhos utilizados para assistir a filmes, séries e canais de televisão.

Como reduzir os riscos

O episódio reforça a importância de verificar a procedência dos dispositivos eletrônicos conectados à internet, especialmente equipamentos de fabricantes pouco conhecidos ou que não oferecem informações claras sobre atualizações de segurança. Especialistas em segurança digital recomendam priorizar aparelhos certificados, manter o sistema atualizado e desconfiar de produtos comercializados sem identificação adequada do fabricante.

No caso das TV boxes, também é importante diferenciar equipamentos oficialmente certificados daqueles que apenas utilizam versões modificadas do Android, sem necessariamente contar com os mesmos mecanismos de proteção. Como o programa malicioso identificado na operação era instalado diretamente no sistema dos equipamentos, uma simples restauração das configurações de fábrica pode não ser suficiente para eliminar a ameaça.

A operação chama a atenção para um risco cada vez mais presente no cotidiano: dispositivos aparentemente inofensivos, conectados à internet doméstica, podem se transformar em ferramentas para atividades criminosas sem apresentar sinais evidentes de comprometimento.