Escola de Pharmácia e Odontologia de Ubá

07/05/2020

 

No dia 26 setembro de 1923, os médicos e dentistas, de Ubá, receberam a seguinte circular:

 

“Exmo. Sr. – Saudações.

         A diretoria do Gymnasio Ubaense, desejando fundar uma Escola de Pharmácia e Odontologia anexa ao estabelecimento, tem a honra de convidar-vos para uma reunião hoje, às 7 horas da noite, à Praça S. Januário,48, no Gymnasio Ubaense, onde será discutido o assumpto.

         Certo de vosso comparecimento firmo-me com distincta consideração. De v. S. am.°att°.e cred.°

  LIVIO DE CASTRO CARNEIRO”.                                                                               

 

Compareceram ao chamado, as seguintes pessoas: Levindo Coelho, Ângelo Barletta, José Godinho, Adjalme Carneiro, Gladstone Alvim, Gle narvan Alvim, José Augusto de Rezende, José Carneiro de Castro, Gorazil Brandão, Alexandre Sartori farmacêuticos José Solero, F.J Leite  Guimarães, Honório Carneiro,  Cel. Júlio Soares, os professores Ondo  Rodrigues e J.A Simões.  A sessão de inauguração do educandário foi feita no dia 15 de novembro de 1923, momento em que também foi eleita a primeira diretoria, composta Diretor Técnico: Dr. Ângelo Barletta; Diretor Geral: professor Lívio de Castro Carneiro e secretário o professor J.A. Simões. Ficou estabelecido o dia 15 de novembro como data oficial de fundação da escola.

 

A Escola de Pharmácia e Odontologia iniciou suas atividade letivas no dia 02 de abril de 1924. O município de Ubá contava nessa época com cerca de 80.000 habitantes, dos quais 28.000 moravam na área urbana.  Em termos de ensino a cidade tinha os seguintes estabelecimentos:

 

Primário: Grupo Escolar Coronel Camilo Soares, algumas escolas rurais, que eram mantidas pelo Estado e as aulas particulares de Regina Godinho, Atheneu Ordem e Progresso e Colégio Brasileiro. Escola de Datilografia Remington, três escolas de instrução militar de n° 124, 133 e 264.

 

Do curso ginasial: Ginásio São José, Ginásio Raul Soares e a escola     normal Sagrado Coração de Maria.

     

A economia do município girava em torno da agricultura onde produzíamos café, fumo açúcar e cereais. A indústria começava a despontar no município e tínhamos importantes empresas na fabricação de açúcar, bebidas, massas alimentícias, gelo e de móveis. Ubá já era servido por importantes instituições bancárias como: o Banco Hypothecário e Agrícola de Minas Gerais e o Banco de Crédito Real de Minas Gerais. A cidade ainda dispunha de uma boa estrutura urbana, dois cineteatros, dois clubes e cinco jornais. Situada em uma região populosa da Zona da Mata mineira, Ubá contava com a facilidade de estradas de rodagem  e de ferro entre os diversos municípios vizinhos  e grandes centros. A criação da Escola de Pharmácia e Odontologia era considerada estratégica.

 

 

 

 

A escola cresceu, adquiriu sua sede própria, adaptando suas instalações em seções, sendo considerada, pela avaliação feita pelo Estado de Minas Gerais, como um importante centro de estudos. Por ela passaram muitos jovens ubaenses e de cidades vizinhas, que receberam conhecimento e foram diplomados, prontos ao exercício profissional. A primeira turma foi diplomada em 1925 e a última em 1932.

 

Infelizmente, com a revolução de 1930, Ubá, passou a ser dirigido por um grupo político que achou por bem, como forma de mostrar sua força, fechar a Escola de Pharmácia e Odontologia e o Ginásio Raul Soares, porque os diretores e a maioria dos professores eram “perremistas” (Folha do Povo 19.04.1958). Relata Lívio Carneiro:

 

 

“Naquela obra de destruição, já de seis anos, surge a 12ª exigência do Conselho Nacional de Educação. A vinda a Ubá de uma comissão especial de três Inspetores do Ensino Superior, afim de verificar se eram válidos ou verdadeiros os relatórios dos inspetores anteriores: Drs. Adezílio Bicalho, Demóstenes Martins de oliveira e José Carneiro de Castro. Após  insistência nossa, durante quatro meses, hospeda-se no Grande Hotel, nesta cidade  a tão por nós esperada comissão. Na manha seguinte e durante três dias consecutivos, trabalhavam intensamente aqueles inspetores. Volumoso e  minucioso relatório foi enviado a Divisão de Ensino Superior do Ministério de Educação, onde, alguns dias depois, tivemos oportunidade de ter a página das “Conclusões finais” a que chegou aquela Comissão de Inspetores: - A  Escola de Farmácia e odontologia de Ubá, tem um arquivo modelar e, pelos prédios próprios, pelo seu corpo docente, pelos vários laboratórios de química, análises clinicas e microscópicas, fisiologia, fartura de material e etc. ...é um instituto de ensino superior capaz de poder funcionar ao lado dos seus congêneres dos maiores centros urbanos do Pais(datado e assinado pelos três inspetores). Aquele tempo nossa Escola era das mais bem aparelhadas dentre as demais do  Pais; em prédios, laboratórios e material de ensino. Pouco tempo depois vem o dito telegrama 'PROIBIDA DE FUNCIONAR'".

 

E assim findou a trajetória da Escola de Pharmácia e Odontologia de Ubá, em um simples telegrama, pela vontade politica. Pela referencia dada à escola, imaginemos nos dias de hoje como seria Ubá, quantos jovens poderiam ter deixado de ir para outros grandes centros e estudar aqui, como a cidade poderia ter se desenvolvido recebendo estudantes de outras cidades e Estados. 

 

Que a historia nos sirva de lição e que nossos políticos pensem em suas ações, como benefícios para a cidade e não prejudiquem novamente a cidade, como forma de mostrar força política para seus adversários.

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