É quase impossível separar o jiu-jitsu da vida do jovem Breno Salvador Rosa, afinal, o tatame esteve presente na maior parte dos seus 17 de vida.
Breno conheceu o jiu-jitsu na escola em Serra, no Espirito Santo, quando ainda era uma criança de 7 anos. “Na escola, eles abriram uma mini academia para conhecermos o esporte. Me inscrevi numa aula experimental e acabei gostando. Dali para frente eu comecei a treinar”, conta o jovem entusiasmado.
O negócio parecia ser mesmo “a praia” do garoto que, com apenas dois meses de treino, disputou sua primeira competição e conseguiu um comemorado segundo lugar. O resultado chamou a atenção do então treinador Revel, que passou a incentivar ainda mais o menino.
Do primeiro campeonato para cá, Breno teve que encarar alguns desafios que vão para além do tatame, como mudanças de cidade. Primeiro, o garoto foi de Serra para Cariacica, também no Espirito Santo. Por lá, viveu grandes momentos na luta – que sempre funcionou como uma base para a adaptação por onde passa -; primeiro com Tuzinho, com quem com quem disputou campeonatos estaduais, nacionais e internacionais da categoria.
Depois foi para a academia Agnaldo Goes, onde passou, até então, a maior parte dos seus 10 anos de jiu-jitsu e conquistou muitos títulos. Lá, o “casca grossa” – como era chamado pelos colegas de academia em Cariacica - se consagrou tetracampeão do Pan-americano, além de ser bicampeão sul-americano e ainda pegar um segundo e um terceiro lugar em dois mundiais de jiu-jitsu.
“Sempre que eu chegava numa nova academia e falava que eu era competidor aquilo se tornava uma novidade. Um garoto daquela idade e daquele tamanho competindo? Nossa Senhora! Era uma novidade para o pessoal”, conta Breno.
Ainda em Cariacica, com a série de resultados positivos e estima por competir, Breno foi escolhido em 2017 como atleta do ano em uma solenidade do município.
Adaptado, as coisas iam bem no Espirito Santo. Até que, em uma oportunidade de trabalho, o pai se mudou para Ubá. As coisas foram dando certo e Breno veio para a cidade de vez junto a mãe.
Na nova mudança, a questão era a mesma: precisava encontrar uma academia de jiu-jitsu para treinar. A solução foi encontrada na academia Brotherood Ubá. “No início você fica meio nervoso, não sabe como lidar. Sempre que você muda de academia, você muda seu estilo em tudo, ainda mais com a intensidade de treino. No começo eu fiquei bem desanimado com o diferente, mas depois fui animando novamente e agora estou bem motivado”, relata Breno sobre a transição.
Entre tantas mudanças, para continuar seguindo em frente e competindo, o garoto conta com bastante apoio. Os pais Bruno Rosa e Laudineia Bendel, o agora professor Giovani Gazola e outros membros da nova academia e, segundo Breno, até quem duvidava hoje o apoia também.
Agora, na nova rotina, o garoto passa ainda mais tempo na academia. Antes, no Espirito Santo, os treinamentos aconteciam apenas à noite. Aqui, Breno chega por voltas das 15 horas e só sai no fim da noite. É o paraíso para alguém que ama tanto o jiu-jitsu.
Quando falei que é quase impossível desatrelar o jovem da modalidade, é porque, até em seu tempo livre fora da escola ou dos treinos, o jiu-jitsu está presente. “A hora que eu paro assim às vezes é pra ver TV, às vezes eu nem vejo TV, eu fico vendo vídeo de luta para você ter noção, analisando as posições”, destaca.
Tamanha dedicação e empenho se refletem em resultados. O faixa azul coleciona mais de 70 medalhas, entre títulos estaduais do ES, campeonatos brasileiros, pan-americanos e sul-americanos. Já residente em Ubá, Breno levou para a casa o título de campeão em sua categoria do Open Juiz de Fora e do Campeonato Brasileiro X Combat de Jiu-Jitsu, realizado em Vitória – ES.
No entanto, para participar das competições o trabalho fora dos tatames é dobrado, afinal, os campeonatos são caros. É também aí que a rede de apoio entra na carreira do garoto. Para conseguir disputar os torneios, Breno faz rifas para arrecadar fundos e arcar com inscrições e viagens.
Os percalços fazem parte da caminhada, Breno sabe muito bem disso e não se deixa desanimar. Corre atrás para arrecadar os valores e conseguir realizar o sonho de entrar mais uma vez no tatame e tentar o melhor resultado possível. “Eu coloco na minha cabeça que eu sempre vou conseguir e enquanto eu não consigo eu não estou satisfeito”, enfatiza.
Para o futuro, a meta não poderia ser outra: ser um lutador de jiu-jitsu bastante reconhecido e participar dos campeonatos mais importantes. Breno tem suas inspirações dentro do tatame, como os irmão Miyao, que hoje figuram no mais alto escalão do jiu-jitsu nacional. Mas, enquanto o porvir ainda é imaginário, o jovem lutador segue treinando para materializar o sonho.
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