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Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde e supera 50% da renda, aponta Banco Central

Comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também chega ao maior nível da série histórica, pressionado pelos juros elevados e pelo avanço de modalidades de crédito mais caras.

29/10/2026 13h49
Por: Redação Fonte: InfoMoney
Imagem ilustrativa
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O endividamento das famílias brasileiras com o sistema bancário atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, alcançando o maior patamar da série histórica do Banco Central. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) e mostram também um recorde no comprometimento da renda com o pagamento de dívidas.

Segundo os números apresentados, 29% da renda das famílias estava comprometida com o pagamento de juros e amortizações de empréstimos e financiamentos. Quando desconsiderados os financiamentos imobiliários, o percentual chegou a 26,7%, também o maior já registrado.

O cenário reflete a pressão dos juros elevados sobre o orçamento doméstico e o crescimento de modalidades de crédito mais caras, como o cartão de crédito e os empréstimos sem garantia. A inadimplência nas operações de crédito livre, modalidade em que as instituições financeiras estabelecem as taxas de juros, ficou em 6,6% em setembro, repetindo o recorde registrado em agosto.

Outro indicador de encarecimento do crédito foi o aumento do spread bancário, diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e os juros cobrados dos clientes. O indicador passou de 34,7 para 35,5 pontos percentuais.

Os resultados apontam para a persistência das dificuldades financeiras das famílias, mesmo após a implementação de dois programas governamentais de renegociação de dívidas, que contaram com garantias do Tesouro Nacional.

Governo prepara novas medidas para conter endividamento

Durante a campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no último domingo (25), prometeu implementar um mecanismo de compra de dívidas de consumidores junto aos bancos, mediante descontos, para facilitar a renegociação dos débitos.

Paralelamente, o Banco Central informou que prepara medidas para combater práticas predatórias na concessão de crédito e reduzir os riscos de endividamento excessivo.

A autoridade monetária também voltará a discutir a taxa básica de juros na próxima semana. Após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, a Selic está em 13,75% ao ano, patamar definido na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom).

Apesar dos cortes recentes, os indicadores mostram que o custo do crédito continua elevado e representa um desafio para o equilíbrio financeiro das famílias brasileiras.

 
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