Pouco mais de cem dias após as fortes chuvas que atingiram Ubá e destruíram cinco pontes sobre o Rio Ubá, as estruturas ainda não foram reconstruídas. Em entrevista à TV Integração, na última quarta-feira, 3, o coordenador da Defesa Civil do município, Anderson Almeida, explicou o andamento das obras de recuperação e os motivos que ainda impedem o início da reconstrução da ponte da Avenida Cristiano Rôças.
Durante a reportagem, foi mostrado que a Prefeitura realiza obras de contenção em diferentes pontos da cidade, mas a situação da ponte da Cristiano Rôças permanece praticamente a mesma observada logo após a tragédia. Segundo Anderson Almeida, a Prefeitura chegou a disponibilizar equipamentos para remover as estruturas da ponte que permanecem no leito do rio, mas encontrou obstáculos devido à situação de um imóvel localizado ao lado da área afetada.
“É importante a gente destacar que o município fez todos os esforços necessários para tentar remover essas estruturas dessa ponte de dentro do leito do rio. Nós tivemos aqui o equipamento à disposição para poder fazer isso. Contudo, por conta da proximidade da ponte com essa edificação, que está interditada e apresenta risco iminente de desmoronamento, nós tivemos essa dificuldade”, explicou.
De acordo com o coordenador, o município já concluiu etapas importantes para a futura reconstrução da travessia. “O município já tem o projeto para executar essa ponte, já tem a sondagem, levantamento topográfico e a intenção de reconstruir melhor”, afirmou. No entanto, ele destacou que a situação envolve questões ambientais e jurídicas que precisam ser solucionadas antes do início das obras. Segundo Anderson, a legislação atual impede que imóveis destruídos às margens do rio sejam reconstruídos no mesmo local.
“Aqui virou um problema da questão ambiental e jurídica, porque uma vez que esses imóveis desmoronaram, a legislação ambiental atualmente não permite mais a reconstrução deles no local onde eles se encontravam antes. Então, por isso a resistência dos proprietários em conceder a demolição das estruturas que estão de pé e para a reconstrução da ponte”, disse. Questionado sobre quando as intervenções poderão começar, o coordenador foi direto: “Enquanto esse imóvel continua, nada pode ser feito aqui”.
Em relação às demais pontes destruídas pelas chuvas de fevereiro, Anderson Almeida informou que a Prefeitura está em negociação com o Governo de Minas Gerais para garantir os recursos necessários à reconstrução das estruturas por meio de convênios com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG). “Todos os projetos estão sendo elaborados do zero e são projetos para a reconstrução de pontes de maneira melhor do que já existiam antes”, explicou.
O coordenador reconheceu a insatisfação da população diante da demora na recuperação da infraestrutura urbana, mas ressaltou que o objetivo é construir estruturas mais seguras e resistentes. “A gente entende que tem uma demora, que tem uma insatisfação da população, que existe um transtorno na mobilidade urbana do município. Contudo, os projetos estão sendo elaborados e a tratativa junto ao Governo do Estado é para a reconstrução de pontes mais eficientes, mais resistentes, para que, infelizmente, em eventos futuros dessa magnitude, as pontes não venham a colapsar como aconteceu agora”, concluiu.
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