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3 de outubro de 1930 - O Dia da Guerra em Ubá

Há exatos 93 anos, aviões das forças da 4ª Região Militar, comandada por Getúlio Vargas, bombardearam a cidade

Por: Redação Fonte: Arquivo Historiador Miguel Arcanjo, História Geral da Aeronáutica Brasileira e Cultura Brasil
02/10/2023 às 19h32 Atualizada em 09/10/2023 às 15h28
3 de outubro de 1930 - O Dia da Guerra em Ubá
Tropa da Aliança Liberal chega de Juiz de Fora onde hoje é a Praça Guido para sitiar-se em Ubá. Foto: Celidônio Mazzei

A Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República, foi, para muitos historiadores, o movimento mais importante da história do Brasil do século XX. Na Primeira República, o controle político e econômico do país estava nas mãos de fazendeiros, porém, entre 1912 e 1929, a produção industrial cresceu cerca de 175%, no entanto a política econômica do governo continuava privilegiando os lucros das atividades agrícolas. Com a crise mundial do capitalismo em 1929, a economia cafeeira não conseguiu manter-se e o Presidente Washington Luís (1926-1930), com algumas medidas, tentou conter a crise no Brasil, mas em vão.

O maior partido de oposição ao partido republicano de Washington Luís era a Aliança Liberal, liderada pelo então governador do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas. Mesmo apoiado por muitos políticos que tinham sido influentes na Primeira República, como os ex-presidentes Epitácio Pessoa e Artur Bernardes, nas eleições de 1930 a Aliança Liberal perdeu, vencendo o candidato republicano Júlio Prestes. Mas, usando como pretexto o assassinato do aliancista João Pessoa por um simpatizante de Washington Luís, Getúlio Vargas e seus partidários organizaram um golpe que, em outubro de 1930, tirou Washington Luís do poder. 

Tropas em Ubá

Foi diante desse contexto que o Batalhão da Polícia sediado em Juiz de Fora, não podendo enfrentar as forças da 4ª Região Militar, comandada por Getúlio Vargas, retirou-se para Ubá, alojando-se na Fazenda das Palmeiras de propriedade da família do Dr. Levindo Coelho, contrário ao golpe. Lá ficaram acampadas as tropas do exército da Aliança Liberal enquanto o Comando ficou alojado no antigo Grand Hotel, na Praça da Guido Marliére. 

Há exatos 93 anos, em 3 de outubro de 1930, aviões do governo sobrevoaram a cidade e um deles passou voando à baixa altura sobre a Fazenda das Palmeiras. Um dos soldados acampados na localidade, Maury Martins de Oliveira, disparou um tiro contra o avião, com o intuito de abatê-lo. Foi o sinal de alarme. Em represália os aviões começaram a jogar bombas sobre a cidade, tendo sido várias contra a própria fazenda e mais três no centro de Ubá. Uma caiu sobre o teto da Igreja Matriz do Rosário, esfacelando-o, outra atingiu uma casa na rua 15 de Novembro e a terceira, que não explodiu, atingiu o cemitério. Por milagre, não houve vítimas.

Telhado da casa na rua 15 de novembro atingido por uma bomba. Foto: Celidônio Mazzei

Com as explosões das bombas, o terror se apossou dos habitantes da cidade. Muitos fugiram, às vezes sem destino e sem rumo. Ubá ficou literalmente vazia e as fazendas da região se encheram. As estradas se povoaram de homens, mulheres e crianças levando utensílios, e roupas eram vistas aos montes. Poucos moradores resistiram, como o Padre Belchior e alguns estudantes da Escola de Farmácia e Odontologia.

Aos poucos chegavam os trens da antiga Leopoldina Railway trazendo voluntários de cidades vizinhas para defender a cidade, enquanto isso os jornais do Rio de Janeiro, em manchetes, anunciavam: “Ubá foi arrasada, reduzida a cinzas pela aviação legalista”.

Depois de controlar os focos de resistência nos estados, Getúlio Vargas e seus aliados chegam ao Rio de Janeiro e tomam posse em 3 novembro de 1930, data conhecida como o fim da Primeira República e o início da chamada Era Vargas, Getúlio ficaria por quinze anos ininterruptos no poder (1930 – 1945) e, logo depois, seria eleito pelo voto popular voltando à presidência entre os anos de 1951 e 1954.

A aviação na revolução de 1930

A Revolução de 1930 acabou de vez com a política oligopolista que as elites do estado de São Paulo impunham ao Brasil desde os anos 20. As operações aéreas foram, no entanto, bastante modestas, tendo em vista a crise econômica pela qual passava o país. Alguns aviões da Escola de Aviação Militar (três Morane 130 e um Potez 25) foram tomados por pilotos que aderiram ao movimento, unindo-se às forças rebeldes. O Potez 25 foi utilizado na região Rio de Janeiro-Juiz de Fora-Belo Horizonte em missões de reconhecimento e de lançamento de panfletos sobre tropas legalistas, conclamando ao apoio à Revolução. Esse foi o modelo usado nos ataques a Ubá.

Getúlio Vargas no Palácio do Catete em 31 de outubro de 1930, no dia que chegou ao Rio de Janeiro após vitória na Revolução de 1930.

 

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MariaHá 3 anos Uba mgMt bom a história da nossa cidade sendo resgatada ????????????
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O comando militar ficou alojado no antigo Grand Hotel, localizado na Praça Guido Marlière, no Centro da cidade.
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O dia em que aviões bombardearam a cidade durante a Revolução de 1930

Em meio à disputa pelo poder no Brasil, bombas atingiram uma igreja, uma residência e o cemitério de Ubá, provocando pânico e uma fuga em massa da população.

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