A morte de um homem de 56 anos após sofrer um mal súbito ao final de uma trilha no Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte, a 186 quilômetros de Ubá, reacendeu o debate sobre os cuidados necessários para a prática de atividades em ambientes naturais.
O caso ocorreu na última sexta-feira (5). Segundo a concessionária responsável pela operação das atividades de ecoturismo e visitação da unidade, a vítima estava acompanhada da esposa e dos filhos e já retornava da trilha quando passou mal próximo à saída do parque. Equipes do Parque Estadual do Ibitipoca, socorristas da concessionária e profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) realizaram manobras de ressuscitação cardiopulmonar, mas o homem não resistiu.
Para o educador físico e especialista em montanhismo Gláucio Lisboa, situações como essa reforçam a necessidade de preparação adequada antes de enfrentar trilhas, especialmente aquelas com longas distâncias, subidas acentuadas e exposição prolongada ao esforço físico.
“Muitas pessoas enxergam a trilha apenas como um passeio, mas ela é uma atividade física que pode exigir bastante do sistema cardiovascular e muscular. Dependendo do percurso, o desgaste é semelhante ao de uma prática esportiva de média ou alta intensidade”, explica Gláucio.
Segundo ele, muitas pessoas subestimam o esforço exigido pelas caminhadas em ambientes naturais e acabam iniciando percursos sem o condicionamento físico adequado. O especialista destaca que a atividade requer resistência cardiovascular, força muscular e capacidade de adaptação a terrenos irregulares. A avaliação médica é apontada por Gláucio como uma das medidas mais importantes antes da prática, especialmente para pessoas acima dos 40 anos ou que possuam histórico de hipertensão, diabetes, doenças cardíacas ou outros problemas de saúde.
“Quem pretende fazer trilhas com frequência precisa entender que a prevenção começa antes mesmo de colocar o pé na estrada. Uma avaliação médica pode identificar fatores de risco e evitar situações graves durante o percurso”, afirma.
Outro aspecto fundamental é a preparação física prévia. Caminhadas regulares, exercícios aeróbicos e atividades de fortalecimento muscular ajudam a melhorar o desempenho e reduzem os riscos relacionados ao esforço excessivo.
A hidratação e a alimentação também merecem atenção especial. De acordo com o especialista, muitos episódios de mal-estar registrados em trilhas estão relacionados à desidratação, à baixa reposição energética ou ao excesso de esforço físico.
“Não basta levar água. É preciso se hidratar antes, durante e após a atividade. Além disso, a alimentação deve ser adequada ao nível de esforço que será realizado. O corpo precisa de combustível para responder bem aos desafios do percurso”, ressalta.
Gláucio Lisboa também orienta que os praticantes respeitem seus próprios limites físicos. Sintomas como falta de ar intensa, tontura, dor no peito, suor frio ou sensação de desmaio não devem ser ignorados. “O corpo sempre dá sinais quando algo não está bem. O erro de muitas pessoas é insistir em continuar a caminhada mesmo diante desses alertas. Nesses casos, o correto é interromper a atividade e procurar ajuda imediatamente”, alerta.
Além do preparo físico, o especialista recomenda planejamento prévio da trilha, conhecimento das características do percurso, atenção à previsão do tempo e utilização de equipamentos adequados para cada ambiente.
Para Gláucio, as trilhas e o montanhismo proporcionam benefícios importantes para a saúde física e mental, desde que sejam praticados com responsabilidade.
“A natureza oferece experiências incríveis e transformadoras. Mas segurança deve vir sempre em primeiro lugar. Estar preparado, respeitar seus limites e conhecer suas condições de saúde são atitudes essenciais para que a atividade seja prazerosa e segura”, conclui.
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