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Minas tem pior índice de segurança rodoviária do Sudeste, aponta levantamento da CNT

Quase um terço das estradas mineiras está na faixa mais crítica de proteção aos motoristas; estado lidera ranking negativo na região

21/06/2026 19h51
Por: Redação Fonte: G1 Zona da Mata
Minas tem pior índice de segurança rodoviária do Sudeste, aponta levantamento da CNT

Minas Gerais apresentou o pior desempenho entre os estados do Sudeste no quesito segurança da infraestrutura rodoviária, de acordo com o Painel Rodovias que Perdoam, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O levantamento mostra que 30,9% das rodovias avaliadas no estado possuem baixo nível de segurança, aumentando o risco de mortes e lesões graves em acidentes.

Segundo os dados, apenas 22,4% da malha rodoviária mineira alcança alto índice de segurança, enquanto 46,7% está classificada em nível intermediário.

O indicador “rodovia que perdoa” avalia a capacidade da infraestrutura de minimizar as consequências de acidentes. A CNT considera fatores como acostamentos, sinalização, barreiras de proteção e condições geométricas das vias. A ausência desses elementos pode agravar ocorrências provocadas por falhas humanas ou problemas mecânicos.

O estudo reforça a avaliação da entidade de que os desafios não se limitam à extensão da malha rodoviária, mas também à insuficiência de investimentos permanentes em conservação e segurança.

Comparação regional

Entre os estados do Sudeste, Minas Gerais apresentou o resultado mais preocupante. São Paulo lidera o ranking regional, com 67,6% dos trechos classificados com alto índice de segurança e apenas 4,7% na faixa de baixo desempenho.

No Rio de Janeiro, 52,2% da malha possui alto nível de segurança e 6,3% está na categoria mais crítica. Já o Espírito Santo registra 23,8% dos trechos com alto índice e 13,3% com baixo nível de proteção.

Reflexos na economia

Além dos impactos na segurança viária, a precariedade das estradas influencia diretamente os custos do transporte. De acordo com a CNT, circular por rodovias em condições inadequadas aumenta, em média, 34,8% os custos operacionais.

A diretora executiva da entidade, Fernanda Rezende, destaca que Minas Gerais ocupa posição estratégica na logística nacional e concentra intenso fluxo de cargas e passageiros, fator que acelera o desgaste da infraestrutura e amplia a necessidade de investimentos contínuos em conservação e modernização.

Problemas estruturais

A pesquisa identificou uma série de deficiências na malha rodoviária mineira. Entre os principais problemas apontados estão:

  • 65,4% das rodovias com algum tipo de deficiência em pavimento, sinalização ou geometria;

  • 46,4% da geometria das vias considerada ruim ou péssima;

  • 55,1% dos trechos sem acostamento;

  • 25,3% das curvas perigosas sem sinalização adequada;

  • 87,9% das rodovias compostas por pista simples.

O levantamento também registrou 138 pontos críticos em estradas mineiras, incluindo erosões, buracos de grandes proporções, pontes estreitas e quedas de barreira.

Maior malha do país amplia desafios

Com aproximadamente 272 mil quilômetros de rodovias, Minas Gerais possui a maior malha viária do Brasil, equivalente a cerca de 16% de toda a extensão rodoviária nacional.

Para a CNT, a dimensão da rede rodoviária aumenta a complexidade dos trabalhos de manutenção, recuperação e modernização. A entidade ressalta, entretanto, que a extensão das vias não explica isoladamente os índices de segurança observados, sendo indispensáveis investimentos contínuos em pavimentação, sinalização, acostamentos, dispositivos de contenção e adequações geométricas.

A confederação estima que seriam necessários R$ 15,84 bilhões para recuperar a malha analisada no estado. Segundo Fernanda Rezende, os investimentos realizados ao longo dos anos permanecem abaixo da demanda necessária, gerando impactos tanto na segurança quanto na economia nacional.

Diferença entre rodovias concedidas e públicas

O estudo também aponta uma diferença significativa entre as condições das rodovias concedidas à iniciativa privada e das administradas por órgãos públicos.

Nas estradas concedidas em Minas Gerais, 60,2% dos trechos apresentam alto índice de segurança e apenas 2,5% estão na faixa de baixo desempenho. Já entre as rodovias públicas, somente 1,5% alcança alto nível de segurança, enquanto 46,6% está classificada na categoria mais crítica.

Apesar da vantagem observada nas concessões, a CNT ressalta que a administração privada, por si só, não garante elevados padrões de segurança. Muitas concessionárias assumem rodovias com problemas históricos de infraestrutura, traçados antigos e limitações técnicas que demandam tempo para serem corrigidos.

As rodovias mais críticas de Minas Gerais

O levantamento identificou oito rodovias com 100% dos trechos classificados em baixo nível de segurança, consideradas as mais críticas do estado.

Sete delas estão sob responsabilidade do Governo de Minas Gerais: LMG-633, LMG-820, MG-114, MG-308, MG-449, MG-605 e MG-677.

A única rodovia federal na lista é a BR-464, que possui trechos localizados nas regiões Sul e Triângulo Mineiro.

Segundo a CNT, os dados evidenciam a necessidade de ampliação dos investimentos em infraestrutura rodoviária para reduzir acidentes, preservar vidas e minimizar os impactos econômicos decorrentes das más condições das estradas.

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